terça-feira, outubro 10, 2006



SEM DATA

Esta voz com que gritei às vezes
Não me consola de só ter gritado às vezes.
Está dentro de mim como um remorso, ouço-a
Chiar sempre que lembro a paz de segurança estulta
Sob mais uma pedra tumular sem data verdadeira.
Quando acabava uma soma de silêncios,
Gritava o resultado, não gritava um grito.
Esta voz, enquanto um ar de torre à beira-mar
Circula entre folhas paradas,
Conduz a agonia física de recordar a ingenuidade.

Apetece-me explicar, agora, as asas dos anjos.

(Jorge de Sena)

1 Comments:

Anonymous Anónimo said...

bonito! Tenho aqui à minha frente o escudo de armas de Portugal seguro por dois anjos - S. Miguel e S. Jorge, disseram-me um dia, os anjos que vencem o dragão.

Portugal é Dragão

(a mim cheira-me é que ainda se enrolaram os três, mas fico corado de imaginar certas coisas :)

22:37  

Enviar um comentário

<< Home