quarta-feira, setembro 06, 2006

Poesias de hoje e de sempre



Não tenho mais palavras.
Gastei-as a negar-te...
(Só a negar-te eu pude combater
O terror de te ver
Em toda a parte).
Fosse qual fosse o chão da caminhada,
Era certa a meu lado
A divina presença impertinente
Do teu ventre calado
E paciente...
E lutei, como luta um solitário
Quando alguém lhe perturba a solidão
Fechado num ouriço de recusas,
Soltei a voz, arma que tu não usas,
Sempre silencioso na agressão.
Mas o tempo moeu na sua mó
O joio amargo do que te dizia...
Agora somos dois obstinados,
Mudos e malogrados,
Que apenas vão a par na teimosia.
(Desfecho, Miguel Torga)

9 Comments:

Anonymous Anónimo said...

espero que o Torga ache graça...

eu acho que vá lá, isto parece que vai nesse sentido do Estado palestiniano:

http://www.publico.clix.pt/shownews.asp?id=1269846&idCanal=18

mas não me quero envolver muito com isso porque é uma história enorme.

Pelo que percebo da biografia do Maomé, com a unicidade de Allah ele conseguiu introduzir o Estado lá no meio das bulhas períodicas entre tribos e clãs politeístas.

Mas o tipo não teve pejo em mandar matar uma poetisa que dormia entre os 4 filhos, porque ousara descrer na sua "revelação".

Só consigo ler uma ou duas páginas por noite, por causa daqueles nomes árabes todos das famílias importantes. Agora começou o sarrabulho com os judeus...

py

13:19  
Anonymous Anónimo said...

periódicas...antes que venham mísseis

13:20  
Anonymous Anónimo said...

Py,
parece que o "tipo", na sua vida privada, tinha costumes pouco brandos e pouco condizentes com a moral que pregava, mas tu saberás melhor do que eu, uma vez que te deste ao trabalho de estudar a biografia do profeta.
Olha, os meus "terroristas", neste momento, são miúdos de 15 anos de idade em bi-retenção no 7º ano de escolaridade... Não sei que armas vou ter de usar...

Sílvia

19:06  
Anonymous Anónimo said...

... bem, pela foto tens um ar enérgico e voluntarioso, que é uma boa ajuda. Deixo-te os meus votos de boa sorte e vou passando por aqui. Dizem os budistas que todo o sofrimento é provocado pelo apego, positivo ou negativo, e creio que é verdade, mas eu também ainda não consegui equilibrar isso. Vamos tentando...

(olha lá esse poema do Torga é de um homem para um homem, não?)

py

21:23  
Anonymous Anónimo said...

...uma idealista!

Só o Torga te poderia responder...

(olha lá, não tens e-mail?)

Sílvia

22:40  
Anonymous Anónimo said...

... lá vim de mais umas páginas do Maomé fumar um cigarro.

Eu também sou idealista deixa estar - lixamo-nos mas não vergamos, até quebrar...

Tenho e-mail sim, não tenho é e-mail anónimo, o meu py é só para brincar.

Mas posso mandar-te um mail, mas só amanhã que já estou lexotado

23:55  
Anonymous Anónimo said...

Hoje,15/9, li a tua última mensagem aqui... Será que ainda estás "lexotado"? Ou melhor, será que te converteste ao Islão?

Sílvia

15:39  
Anonymous Anónimo said...

... olá, a única religião que eu gosto é do budismo (em termos de sensação de afinidade), o maomé levou uma porrada bem forte ontem dos de Meca lá no meu livro e foi a primeira vez que foi a combate, antes só mandava os outros irem...

(lexotado é só às vezes, e à noite, que de dia não gosto)

não mandei o e-mail porque acho mais graça assim

Não queres passar deste Torga avassalador para não-sei-quê? Tirei como conclusão prática deste poema que é muito perigoso deixar crescer a barriga!

py

12:33  
Anonymous Anónimo said...

(está um dia lindo, vou passear toda a tarde :)

13:14  

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